O agronegócio brasileiro exportou US$ 78,3 bilhões no primeiro semestre de 2026, superando o recorde anterior de US$ 71,4 bilhões registrado no mesmo período de 2024. Os dados preliminares do Ministério da Agricultura mostram que soja em grão e carne bovina in natura responderam, juntas, por 41% do total exportado.

A China continua sendo o principal destino, absorvendo 34% das exportações agrícolas brasileiras. Mas o dado que chama atenção é a diversificação: o Oriente Médio aumentou sua participação de 8% para 12%, impulsionado pela demanda por proteína animal halal. A Índia, que historicamente comprava pouco do Brasil, aparece pela primeira vez entre os dez maiores compradores de soja.

CÂMBIO FAVORÁVEL, MAS COM RESSALVAS

A taxa de câmbio média de R$ 5,38 por dólar no semestre ajudou a inflar os resultados em reais, mas analistas alertam que a valorização recente do real — que chegou a R$ 5,20 em junho — pode pressionar as margens no segundo semestre.

"O produtor que não fez hedge está exposto. Quem vendeu antecipado a R$ 5,50 está bem. Mas quem ficou esperando pode ter surpresas desagradáveis", diz o economista agrícola Flávio Rezende, da consultoria AgroData.

PERSPECTIVAS PARA O SEGUNDO SEMESTRE

A safra de milho segunda safra, que ainda está sendo colhida em parte do Centro-Oeste, deve adicionar volume significativo às exportações de julho e agosto. A expectativa da Conab é de safra recorde de 127 milhões de toneladas de grãos no ano — o que, se confirmado, sustentaria o ritmo de exportações no segundo semestre.