A produção de veículos no Brasil atingiu 2,8 milhões de unidades no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Anfavea — o melhor resultado desde o primeiro semestre de 2019. O crescimento de 11,4% em relação ao mesmo período de 2025 foi puxado, em parte, pela demanda reprimida no segmento de veículos comerciais leves, mas também por um fenômeno novo: a aceleração das vendas de veículos elétricos e híbridos.
As montadoras instaladas no ABC paulista anunciaram, em conjunto, investimentos de R$ 8,4 bilhões até 2028 para adaptação das linhas de produção. Volkswagen, Stellantis e Toyota já iniciaram obras em suas plantas. A GM confirmou que sua fábrica de São Caetano do Sul produzirá o primeiro elétrico nacional da marca a partir de 2027.
O DESAFIO DA INFRAESTRUTURA
O crescimento das vendas de elétricos — que saltaram de 1,2% para 4,8% do total de emplacamentos em 12 meses — esbarra em um gargalo conhecido: a infraestrutura de recarga. O Brasil tem hoje cerca de 8.000 pontos de recarga públicos, número que especialistas consideram insuficiente para sustentar uma adoção em massa.
O governo federal anunciou um programa de R$ 1,2 bilhão para expansão da rede de recarga até 2027, mas a execução ainda está em fase de licitação. Para Roberto Siqueira, que acompanha o setor automotivo há oito anos, o ritmo de expansão da infraestrutura será o principal determinante do crescimento do segmento nos próximos três anos.