Os dados da Anbima divulgados nesta quinta-feira mostram que os fundos multimercado captaram R$ 4,2 bilhões líquidos em maio — o quarto mês seguido de entrada de recursos. O movimento contrasta com o ciclo de saídas que marcou 2024, quando a classe perdeu mais de R$ 60 bilhões em resgates.

O que mudou? A resposta não é simples, mas três fatores aparecem com frequência nas análises dos gestores ouvidos pelo Soliva Digital: a estabilização da taxa Selic em 10,75%, a redução da volatilidade cambial e a percepção de que os fundos multimercado voltaram a entregar prêmio de risco relevante em relação ao CDI.

O PAPEL DA SELIC

Com a Selic estável, os fundos de renda fixa conservadores — que dominaram as captações em 2023 e 2024 — passaram a oferecer retornos previsíveis, mas sem surpresas positivas. Isso abriu espaço para que parte dos investidores voltasse a buscar estratégias com mais volatilidade e potencial de ganho adicional.

"O investidor brasileiro aprendeu a conviver com a Selic alta. Agora ele quer saber o que vem depois. E os multimercados são uma resposta para quem quer se posicionar para um cenário de queda de juros no médio prazo", explica a gestora Carla Drummond, da Araucária Asset.

CAUTELA AINDA NECESSÁRIA

Nem todos os analistas comemoram. A dispersão de resultados entre os fundos multimercado continua alta: enquanto os melhores da categoria entregaram 180% do CDI nos últimos 12 meses, os piores ficaram abaixo de 80%. Para o investidor pessoa física, escolher o fundo certo continua sendo o maior desafio.